A arte e o Eu

plena-idade-a-arte-e-o-euSer ou não ser, eis a questão? Quem nunca ouviu a celebre frase de Shakespeare. Quem  em algum momento da sua vida não se fez essa pergunta? Início esse texto  refletindo sobre a arte e a importância que ela ocupa em nossos dias. Freud, o pai da psicanálise tinha verdadeiro interesse nas obras shakespearianas e sua peça favorita era “A tragédia de Hamlet”. Freud faz uma análise da obra e a cita por inúmeras vezes em seus estudos, fato que contribuiu consideravelmente à fundamentação de sua teoria no campo metapsicológico.  No entanto, esse texto não tem como pretensão falar de ciência ou discutir obra de Shakespeare através de uma leitura psicanalítica, mas trazer a luz da consciência o significado que a arte exerce na nossa subjetividade. Estamos imersos nas diferentes formas de expressão artística, ainda que não nos demos conta, estamos a todo momento dando significância aos nossos conteúdos através da arte. Quem nunca ouviu uma música e disse: parece que essa música está falando da minha vida? Ou, assistiu a um filme e sem entender a razão sentiu-se extremamente tocado por determinada cena?
A expressão artística é uma das inúmeras formas que o ser humano encontra para expressar suas emoções, suas ideias, seus objetivos e sua história. A arte é um modelo de expressão que está baseado no senso estético levando em consideração à beleza, a harmonia, e o equilíbrio. Ou seja, a arte é uma maneira saudável de expressão das emoções e sentimentos, porque está implícito através dela o potencial criativo e a capacidade de sublimação de conteúdos internos conflitantes. 
Quem nunca se sensibilizou diante de uma pintura de Joan Miró, ou se emocionou ouvindo a obra de Johann Sebastian Bach? Quem nunca ficou paralisado diante da escultura de “David”, obra-prima renascentista, criada entre 1501 e 1504 pelo artista italiano Michelangelo? Há de se supor que as pessoas apreciadoras das artes em algum momento são capazes de captar a intenção do artista.
Seja você o artista, ou apenas um apreciador, quando se está envolvido com a arte, a chance de dar vazão de forma saudável aos aspectos inconscientes aumenta consideravelmente. Hoje, no campo da saúde mental, um dos recursos terapêuticos que dispomos e que tem demonstrado bons resultados é a arte-terapia, distinguida como um método de tratamento para o desenvolvimento pessoal. Através do aprimoramento do campo simbólico e dos recursos da imaginação, é possível o desenvolvimento no campo da criatividade. E diga-se de passagem, a criatividade é uma habilidade fundamental ao nosso processo psíquico. Quanto maior for a capacidade criativa, melhores serão os recursos internos e maiores serão as chances de lidar mais facilmente com as pressões do dia a dia. 
Aos poetas foi dada a chance de sublimar seus conflitos através de seus versos pungentes, aos músicos através das infinitas combinações entre as notas musicais, aos escultores foi dada a beleza das formas, aos pintores a alegria dos tons das cores, aos atores a harmonia da encenação, ao bailarino o equilíbrio de seus movimentos. Infinitas são as artes e inúmeras são suas formas e possibilidades. Citando Friedrich Nietzsche: “Sem a música a vida seria um erro”. Concordo e me agrada a ideia de pensar que a arte nos salva da monotonia e da falta de sentido e que certamente sem ela a vida seria sombria e destituída de qualquer valor.
Uma vez ouvi e nunca mais esqueci essas palavras , agora compartilho com vocês: “ Crie, pinte, dance e cante, seja feliz agora, pois não há outra hora. Faça de todo instante o seu melhor momento.
Viva a arte.

 

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Cristiane Carvalho
PSICOLOGA 
 e-mail  – criscarvalhopsico@gmail.com
Cel:  015— 99755-4334 | Clínica  015—3016-2241

 

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